Bom, este blogue já está desatualizado há muito tempo, como alguns podem ter percebido. Vim aqui para dar um aviso de que há outro blogue em meu nome, o GALPÃO 1006, de teores bem semelhantes.
Por que montar outro blogue semelhante? Porque penso que este aqui já deu o que tinha que dar há muito. E é sempre bom recomeçar coisas em outro lugar, com outra cara, com outros pensamentos.
Segundo aviso: também fui convidado a particpar de um blogue coletivo, com enfoque principal de literatura, O BIGODE DO MEU TIO. Este blogue já possui leitores internacionais, alcançando a incrível marca de 1000 acessos em cerca de 40 dias de vida. E a fama se espalha continuamente.
Agradeço mais uma vez a quem visita o Conversas e Vícios, mas fiquem à vontade para me visitar no Galpão 1006, e também n'O Bigode Do Meu Tio, juntamente com meus outros companheiros de textos, o Fabio Castro, o Marcos Salvatore e o Renato Gimenes.
É isso. Abraços.
Marlon Vilhena.
Sexta-feira, Novembro 19, 2010
A quem possa interessar - GALPÃO 1006 e O BIGODE DO MEU TIO
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Quinta-feira, Outubro 08, 2009
O Conceito Zero

O tema: internacionalização da Amazônia legal brasileira, através de uma conspiração de homens poderosos e influentes, tanto externos quanto internos ao país. Tudo bem que certas situações são um tanto mirabolantes, como a existência de uma seita de monges templários em meio à floresta amazônica, porém a idéia geral é boa. Com dados reais sobre a situação da região Norte, Barros consegue empolgar o leitor por uma indagação simples e forte: será que estamos perdendo a Amazônia aos poucos por descaso dos órgãos brasileiros, através de invasões de milhares de organizações não-governamentais que pedem acesso à Amazônia com justificativas de dar assistência às comunidades locais e realizar pesquisas de âmbito ambiental?
Esta pergunta não é original — muitas pessoas já se questionaram a mesma coisa, com maior ou menor atenção à mensagem implícita nessas palavras. A. J. Barros, porém, decidiu arregaçar as mangas e escrever esta obra, através de muita pesquisa e com anos de experiência junto à Receita Federal, além de uma boa dose de paixão pelos recantos do Norte do Brasil. Acho que o esforço valeu muito a pena.
Para conhecer:
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Domingo, Agosto 16, 2009
O Menino do Pijama Listrado
John Boyne é um escritor irlandês contemporâneo que, segundo consta no livro, escreveu esta narrativa de 186 páginas sobre um menino chamado Bruno, de nove anos de idade, em apenas dois dias e meio. Nunca havia ouvido falar nele até então, quando encontrei este volume à venda numa loja de conveniência em um posto de gasolina, durante minhas férias recentes. Um escritor de alguns livros, porém nenhum se comparando com este em questão de trama.O enredo é simples e batido: Segunda Guerra Mundial e os nazistas. A narrativa é até mesmo similar ao pensamento de uma criança desta idade, embora seja em terceira pessoa, quando se percebe que Bruno, filho mais novo de um comandante do exército alemão, não consegue pronunciar certas palavras que lê e ouve, como quando pronuncia "Fúria" ao invés de "Führer" para se referir a Hitler (trocadilho que, em português, é curioso).
A família mora em Berlim, porém o próprio "Fúria" indica o pai de Bruno para trabalhar em um famoso campo de concentração muito longe de sua cidade. Bruno não gosta da idéia, pois sempre morou na mesma casa grande, onde gostava de brincar de explorador, descer pelo corrimão da escada, entre outras coisas que todo menino de sua idade adora fazer.
Shmuel é um garoto polonês da mesma idade de Bruno, porém com uma vivência muito diferente de seu novo amiguinho alemão. O que mostra que o amadurecimento de Shmuel é extremamente precoce em relação ao outro. É como se diz por aí: o sofrimento sempre traz experiências, nem sempre boas, entretanto. Judeu feito prisioneiro dos nazistas, é terrivelmente magro e triste, contrastando com a aparência do pequeno alemão, que não consegue entender, ou ao menos suspeitar, o porquê dele ser daquele jeito.
Foi aí que comecei a pensar que o livro tinha algo de errado.
A família de Bruno passa mais de um ano vivendo ao lado do campo de concentração, e durante todo esse período o menino observa cenas e comportamentos incomuns das pessoas ao seu redor, com as quais nunca esteve acostumado, e parece não conseguir se dar conta do que acontece, pois não demonstra amadurecer quase nada com uma situação tão estranha como aquela, onde pessoas são encarceradas, humilhadas e torturadas diariamente. Está certo, é apenas um rapazinho de nove anos, que sempre teve o carinho e atenção de seus pais, nunca se preocupando com nada além de suas brincadeiras. Porém acho insólito, mesmo para uma criança tão pequena, viver alienada de algo tão brutal que ocorre nos fundos de sua casa (ele consegue ver o campo de concentração da janela de seu quarto). Mesmo conversando muitas vezes com Shmuel, ele não se apercebe de coisa alguma, até mesmo prefere tentar ignorar certos fatos que aparecem debaixo de seu nariz.
Talvez seja apenas minha opinião isolada da de outros leitores, contudo não consigo concordar com a descrição de uma personagem que, mostrando-se tão esperta quanto Bruno é, se deixe enganar pelo que considero uma forma de comodismo crônico. Mesmo assim, fica aqui minha sugestão de leitura para quem gosta do tema. Sei que foi lançado um filme baseado nesta obra, mas não tenho certeza de que terei muito interesse em assisti-lo. Pelo menos por enquanto.
Título: O Menino do Pijama Listrado
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 186
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Sexta-feira, Julho 17, 2009
Contadores de histórias
História pra contar, emprestada de uma roda de amigos na casa de alguém em Rio Claro, São Paulo, há muitos anos (memórias...).
O Montanha (um cara raquítico, cara de nerd, mas com uma lábia incrível pra contar histórias) relembrando uma situação desesperada:
- E daí o pessoal se arrumou e resolveu ir ao cinema assistir ao tal filme, mas o João [suponhamos que seja esse o nome, faz muito tempo mesmo] não tava muito afim, mesmo assim foi acompanhar os amigos. Compraram os ingressos, entraram na sala de exibição, procuraram umas cadeiras com boa visão, etc. As luzes se apagam, o filme vai começar. Primeiros minutos na tela, de repente todo mundo se assusta:
- AAAAAAAAHHHHHHH!!!!!! AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! AAAAA-AAAAHHHHHHH!!!!!!
- Outras pessoas começam a gritar, desesperadas, ninguém sabe o que tá acontencendo, e aquele grito desumano continua muito, muito alto. Quem era? O João.
- O João? Mas por quê?
- Foi o que todo mundo queria saber. Ligaram as luzes da sala, algumas pessoas estavam com muito medo, procurando saber de onde vinha o grito, e todo mundo vê o João, com as mãos na cabeça, olhos fechados, gritando como se fosse morrer, os amigos dele levando o sujeito pra fora do cinema. E ele não parava de gritar daquele jeito. A galera começa a perguntar, "Mas o que foi que houve?" "João, você tá passando mal?" "Fala com a gente, cara!" Meu Deus, o que é isso, João?!?", etc, etc.
- E daí?
- Daí que a gritaria continuou até eles estarem na rua de novo. De repente...
- Ah! Pronto. Passou, passou. - disse o João, ajeitando os cabelos e caminhando normalmente, como se estivesse passeando há horas pela calçada.
Todos na roda se olham, não acreditando no Montanha.
- E aí? E os amigos?
- Todo mundo olhando com cara de babaca pra ele.
- Tudo porque ele não queria assistir ao filme?!?!?
- É.
Vai entender as pessoas.
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Sábado, Julho 11, 2009
C8H10N402 - CAFFEINE
Banda de uns amigos. Tudo bem, tudo bem, eu já fiz parte da banda, que na época ainda era singelamente (e não-oficialmente) batizada de Deads.
C8H10N4O2 (ou Caffeine, para os íntimos), Faith no More Cover de Campinas/SP:
Mais uma, para relaxar:
Porque rock tem que ser de verdade.
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Nova Zelândia e o Direito da Sesta
Ela disse não é lindo?, mas ele já estava fechando os olhos outra vez. Ela chegou perto do sofá, jogou uma almofada em sua cara e se virou de novo apontando para a tevê, com um sorriso, não é lindo? Ele olhou para a tela onde aparecia um comercial mostrando uma casa num campo aberto, com uma vista maravilhosa de montanhas e vales, um céu límpido e tão azul que chegava a doer na vista, então ele resmungou que sim, era lindo.
E onde você acha que deve ser isso?, ela quis saber. Pelo jeito, ele não ia poder terminar a sesta que estava pretendendo desde antes da hora do almoço, e então chutou, sei lá, talvez Nova Zelândia, dizem que na Nova Zelândia a natureza é maravilhosa, e virou o rosto para o lado, tentando lhe mostrar que desejava um pouco de sossego e de exercer o seu direito de roncar no sofá que ainda estava com algumas prestações por pagar na loja.
Nova Zelândia, Nova Zelândia, ela ficou repetindo, enquanto ele se virava novamente para encará-la, agora um pouco mais acordado e preocupado. Conhecia aquele tom de voz. Não, nem pense nisso, mulher, de jeito nenhum. Ah, mas temos um dinheiro guardado, acho que dá pra irmos, meu bem. Você está louca? Onde acha que temos dinheiro, se não sobra nada no fim do mês? E afinal de contas, como vamos prum país se não sabemos falar o idioma daquele povo? O que eles falam lá? Inglês. Então não deve ser tão difícil, tem tanta gente que vai pros Estados Unidos e não sabe falar nem Ai lóvi iú. Você sabe quanto tempo demoraríamos pra chegar lá? É do outro lado do mundo, do outro lado! Fora que as coisas lá devem ser bem caras, e só você para querer viajar sem fazer todos os planos de gastos, só me faltava essa. E tem mais, nem sabemos se essas imagens são mesmo da Nova Zelândia, o que eu disse foi um chute.
E o que eu tenho guardado durante todos esses meses? Ele se sentou na ponta do sofá e encarou-a com os olhos semi-cerrados, a boca quase não abrindo, você disse durante todos esses meses? Sim. E eu me matando pra pagar as contas dessa casa, enquanto você guarda um dinheiro e não me avisa! Sim, mas é que eu, mas ele já não queria mais escutar, como você faz isso comigo, mulher? Bom, eu não pensei que você ficasse assim por causa de uma coisa tão boba. Boba, você diz, deve ser uma coisa muito boba, mesmo, eu ficar me preocupando com o nosso lar enquanto você faz planos para ir a Nova Zelândia. Mas você mesmo acabou de dizer que, mas ele não quis escutar de novo, se quiser ir, pode ir, enquanto eu fico com todo o ônus, pode ir gastar o seu dinheiro enquanto eu me mato para pagar esse sofá.
Deitou-se e virou a cara definitivamente para o encosto do sofá, os braços cruzados no peito, dando por encerrada a conversa. Ela ficou ali de pé, olhou para a tevê, mas agora era outro comercial passando, algo sobre amaciante de roupa. Como ele pode comparar um sofá com a Nova Zelândia?, ela pensou. Como ela pode me privar da minha sesta, num sofá tão bom como esse?, ele pensou antes de se afundar no sono.
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Quinta-feira, Julho 09, 2009
É Talvez o Último Dia da Minha vida
É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.

(Alberto Caeiro)
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Sexta-feira, Julho 03, 2009
Quase-poema
E tudo porque não sei o que -
Mas é como se fosse algo muito -
Apesar de tudo, fico -
Pois não tenho nada que -
Ao anoitecer as lágrimas são -
E nunca, nunca mais -
Por falta de cuidado, penso que -
E na alegria derradeira, o céu -
Quando as palavras se vão, resta -
No ar, a estrada -
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Domingo, Agosto 17, 2008
Tudo é velho
Tudo é velho como é velho o modo de ver o mundo, como é velho o pensamento de lutas e desperdícios. Meu álcool é minha luz nesta noite de monstros rastejantes e gigantes de pedra a esmagar sonhos. Contra tudo possuo uma faca, menos que isso, um alfinete, tenho nada.
Tudo é velho como este cigarro em meu bolso roto, este cigarro que vem com teu nome, minha querida. Tudo é velho como eu, e ainda há tanto pela frente. Ficar bêbado sobre a lua, como o outro velho Tom*, e ver no que dá. Mais um copo cheio, querida, sem gelo.
* Referência a Drunk on The Moon, de Tom Waits.
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Domingo, Dezembro 16, 2007
O fogo e a memória
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Segunda-feira, Setembro 24, 2007
Orai por nós, mãe
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Sábado, Setembro 15, 2007
Soneto XCI
A idade nos cobre como a garoa,
interminável e árido é o tempo,
uma pluma de sal toca teu rosto,
uma goteira corroeu minha roupa:
o tempo não distingue entre minhas mãos
ou um vôo de laranjas nas tuas:
fere com neve ou enxadão a vida:
a vida tua que é a vida minha.
A vida minha que te dei se enche
de anos, como o volume de um cacho.
Regressarão as uvas à terra.
E ainda lá embaixo o tempo segue sendo,
esperando, chovendo sobre o pó,
ávido de apagar até a ausência.
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Quinta-feira, Setembro 13, 2007
Livros: roubos, morte, história e vida
Vi três vezes a menina que roubava livros. (A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak) O que realmente me levou a comprar o livro foi o que estava escrito na contracapa, simples, direto e certeiro: "Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler". E eu parei, de vez em quando, entre o trabalho, o sono e algumas saídas noturnas. Liesel Meminger é uma garota que viveu, desde pequena, de imensas perdas. Com todos os temores e desejos do final da infância e começo da adolescência, seria uma garota comum, não fosse o fato de ter sido abandonada pela mãe, pouco antes de perder o irmão pequeno, morto durante uma viagem de trem, para ser criada por um casal pobre em meio à Segunda Guerra Mundial em Molching, uma cidade perto de Munique, Alemanha. Acaba encontrando um lar acolhedor junto aos Hubermann: Hans, um pai amável e protetor; Rosa, uma mãe que amava com xingamentos e reprimendas. Conheceu Rudy, um menino que se tornou rapidamente o seu melhor amigo, e com quem disputava partidas de futebol no meio da rua e roubava frutas. Houve também Max Vandenburg, um jovem judeu que se escondeu no porão de sua casa e que acabou construindo uma forte amizade com a menina. O roubo dos livros começa com o Manual do Coveiro, que ela encontra em meio à neve durante o enterro do irmão caçula, numa tentativa desesperada de ter a memória do irmão sempre por perto. O que é uma ironia, visto que o livro remete ao trabalho da narradora. E falando em ironia, a própria Morte, ao longo das páginas, tenta minimizar o leitor da imagem sinistra que leva por todo lugar, procurando ser agradável, afável. "Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo". Depois, com a ajuda de Hans nas madrugadas, Liesel começa a conhecer o mundo que se esconde por trás das palavras, e cada vez mais se mostra ávida por conhecê-lo. Às vezes, para a garota, o que importa é somente o prazer de adquirir um novo livro, como se pudesse, com isso, sobreviver a tudo aquilo pelo que passou. E se for roubado, melhor ainda. Markus Zusak, escritor australiano, nos presenteia com um livro que nos faz pensar no que o ser humano é capaz, tanto para o bem quanto para o mal. Um livro que nos faz pensar no poder e na importância das palavras, quando tudo parece indicar caos e parcos momentos de alegria e esperanças. Um livro forte e sutil como a Morte, na condição de contadora de histórias. Um livro para ser admirado por todas as pessoas de todas as idades, pois contempla, entre tantos detalhes e rostos e cores e atos e lágrimas, a vida. Para conhecer: Título: A Menina que Roubava Livros Autor: Markus Zusak Editora: Intrínseca Número de páginas: 500
São os humanos que sobram.
Os sobreviventes.
É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões. Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça, mas, vez por outra, sou testemunha dos que ficam para trás, desintegrando-se no quebra-cabeça do reconhecimento, do desespero e da surpresa. Eles têm corações vazados. Têm pulmões esgotados.
O que, por sua vez, me traz ao assunto de que lhe estou falando esta noite, ou esta manhã, ou seja lá quais forem a hora e a cor. É a história de um desses sobreviventes perpétuos - uma especialista em ser deixada para trás.
É só uma pequena história, na verdade, sobre, entre outras coisas:
A Morte, com certeza, já viu de tudo por aí, em todos os cantos. Mesmo assim, é capaz de se impressionar com certas coisas. E quando ela se torna narradora da história de de uma vida, tal vida pode se tornar épica, grandiosa, inigualável por ser cheia de todos os pequenos detalhes necessários para que fique gravada bem fundo em quem a lê. E só quem pode descrevê-la tão bem assim é quem a acompanhou até o último segundo, até a última expiração. Literalmente.
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Sábado, Setembro 08, 2007
Era Vulgaris - Queens of the Stone Age
quando se trata de música. Pouquíssima coisa interessante foi produzida e a mídia ainda procura desesperadamente pelo novo Nevermind, aquele disco que sacuda as estruturas da música pop e que vire tudo de cabeça para baixo (de novo). Mas em meio à monótona cena atual, repleta de bandas EMO e bandas que tentam soar descoladas, ainda é possível ouvir uma pérola como o Era Vulgaris, novo álbum do Queens of the Stone Age.O QOTSA apareceu para o grande público com o excelente Songs for the deaf em 2002. Disco que misturava stoner rock com temperos alternativos e, por que não?, "grunges". Após uma queda de qualidade no disco mais pop Lullabies to Paralize, de 2005, o grupo volta com um álbum tão ou mais forte do que o primeiro. Era Vulgaris traz todos os elementos do Songs..., adicionando ainda mais psicodelia e experimentalismo.
O álbum abre com a única faixa mais fraca, Turning up the Screw, e já dá lugar para uma empolgante sequência de 10 faixas onde pop, punk, metal, grunge e outros subgêneros do rock se misturam em perfeita harmonia. Sick Sick Sick é a faixa que abre essa sequência, uma pura adrenalina com seu criativo riff que gruda na cabeça e sua bateria nervosa. Depois dela, passeamos por diferentes momentos: experimentalismo (em I'm Designer e Misfit Love - música que traz uma incrível introdução, onde as guitarras se valem de inúmeros efeitos num crescendo que explode com o começo da parte cantada), beleza (em Into the Hollow, Suture Up Your Future, e principalmente na grudenta Make It Wit Chu), peso (na inquieta Battery Acid, em Run, Pig, Run com estilo do Faith No More), um momento tipicamente alternativo em 3's & 7's, e até uma marchinha de carnaval melancólica aparece em River in the Road.
Era Vulgaris é um álbum para ser escutado do início ao fim, várias vezes, para se atentar aos seus inúmeros detalhes e ser apreciado cada vez mais. É um item indispensável na discografia de quem procura por boas novidades e já estava achando que o rock não poderia mais surpreender.
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A esquecida arte de olhar as estrelas
As pessoas não têm mais tempo de olhar para as estrelas. Todas preocupadas com roupas, carros, drinques, olhares provocantes, economias, jogos, estradas, nenhuma se lembra de levantar os olhos para o firmamento à noite. As luzes artificais ofuscam a visão, ninguém as enxerga. As guerras e as crises tomam conta dos noticiários, ninguém se lembra delas. Até mesmo as crianças não se interessam mais pelo que está acima de suas cabeças, pois os pais não se preocupam com o que está acima de suas próprias.
Parte de uma conversa:
"Eu acredito que na Idade Média as pessoas eram mais felizes."
"Mas como você pode dizer algo assim? Mais felizes, naquela época em que havia mais fome, mais doenças, mais guerras, e que era normal morrer com menos de quarenta anos?"
"Hoje não é diferente, talvez seja pior. Você pode morrer a qualquer momento por um atropelameto, por uma bala perdida, por vários meios. As guerras hoje em dia até matam mais do que antigamente. E o número de doenças aumentou absurdamente, assim como a gravidade delas. Só que naquele tempo você podia olhar para o céu à noite e admirar um pouco o mundo em que vivia. Naquele tempo você se sentava à mesa junto com sua família e contava histórias, aproveitava algumas horas com os seus. Naquele tempo você podia contar as estrelas, pois a vida era viver os detalhes dos dias e das noites. Você olha para o céu à noite?"
Silêncio.
"Você não gasta a maior parte do seu tempo pensando em como pagar suas contas, quando pagar suas contas, quando poderá comprar sua casa, seu carro, fazer o curso que você tanto quer, enfim pensando apenas em como viver amanhã?"
Silêncio.
"As pessoas parecem se esquecer das coisas simples da vida. Como olhar as estrelas no céu. Como fazer um jantar em volta da mesa com o pai, a mãe, os filhos, os irmãos, repartindo a comida e os casos do dia. Parecem se esquecer de viver hoje. Pensando no amanhã, sim, porém vivendo hoje também. O mundo anda muito mais acelerado do que há quinhentos anos ou mais, mas ainda somos humanos, do mesmo jeito que éramos naquela época cheia de fome, guerras e doenças. Se as crianças não olham mais as estrelas, isso é um mau sinal. E isso é culpa nossa."
Ah, as estrelas. Simplesmente olhar as estrelas. Como faz falta.
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Quinta-feira, Agosto 30, 2007
Carmela
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Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Regras e exceções
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Domingo, Julho 22, 2007
Dia desses
Dia desses a mulher disse eu te amo e nunca mais conseguiu ser a mesma, pois as palavras fizeram-na refém de algo que não conhecia.
Dia desses o homem procurou uma saída e encontrou somente entradas, todas voltando ao início eternamente.
(Sem maçaneta na porta.)
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
Intervalo e heavy metal
He said he'd try just a little bit
He didn't want to end up like them
And now he blames the voices of a toothless wonder
Pounding on the door to make the next score
Anything for a hit, any sin to pay for it
For that next bowl, he'd sell his soul
Spiral to destruction, it's too late to break the spell
He wants the ride to stop on the freight train straight to hell
Without the truth he'll never find in a dungeon of his lies
His cause of death... high speed on burnt ice
Always looking at the ground, a broken, beaten man
Memories of his family are calling after him
He can hardly thing, hardly walk
Phone keeps ringing, he can't talk
With just one hit the pain would go away
But he's dead if he does
Shadow people follow him everywhere he goes
Looking over his shoulder, the paranoia grows
(Megadeth - Burnt Ice)
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Terça-feira, Junho 26, 2007
Os anticristos também amam
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Segunda-feira, Junho 25, 2007
Dignidade se começa pelos pés - hein?

saber, ou não querer distinguir as condições sociais e financeiras entre as pessoas. Outro magistrado foi abordado sobre a decisão do colega juiz, e foi taxativo: onde está a dignidade de uma pessoa? Nos pés? Num chinelo de dedo ou num sapato engraxado de couro legítimo? Na pobre residência daquele trabalhador rural não há uma sapateira onde guardar os poucos calçados da família, e estes poucos calçados são depositados dentro do forno de um fogão quebrado num canto da casa. A dignidade deste trabalhador se encontra encerrada no forno, é isso? É isso? Se eu for tão pobre que não possua condições de me vestir "adequadamente" perante a Justiça, a mesma Justiça que anda descalça e não distingue credos, raças, condições sociais ou vestimentas pelo fato de ser cega, então não mereço adentrar um tribunal? É isso mesmo?
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Terça-feira, Junho 19, 2007
Mundo, amor e território
Os passos acompanham Wonderful World nos fones de ouvido. Vira a esquina e encontra uma mãe, um bebê no colo e duas crianças procurando restos no lixo largado sobre a calçada. O cheiro fétido invade as narinas enquanto Mr. Cole se rasga de emoção ao pensar nas maravilhas do mundo. A mãe não levanta os olhos, o bebê tenta acostumar-se à maravilha enquanto chora, as crianças já não sabem que palavra é essa. Segue.
Entram os Beatles com sua melodia simples, afirmando que tudo de que você necessita é amor, enquanto na esquina, debaixo do semáforo, há um engavetamento de carros, todos os motoristas saindo esbaforidos e tensos, discussões e dedos em riste, caras feias, quem teve a culpa?, um congestionamento se formando logo atrás, mais tensão, buzinas em tons diversos, alguém pedindo calma, outro querendo partir para a ignorância. All you need is love, love, love is all you need, é o que ecoa nos tímpanos ao atravessar a esquina, ao mesmo tempo em que a primeira mão é levantada e o primeiro tapa é desferido em cheio no primeiro rosto, e a confusão engrossa, e os curiosos batem palmas, assobiam, fazem torcida, como de praxe.
Desliga os fones e adentra o bar. Risadas, álcool, maquiagens, gestos. Recinto em meia luz. Pega de um copo e serve-se de uma garrafa no balcão. Ao lado, mesas ocupadas, jovens fingindo algo que não são. Sepultura ecoa das caixas de som, gritando por território. Observa um sujeito cercando uma garota de sombras exageradas nos olhos, penduricalhos excessivos pelo corpo. War for territory, war for territory, bateria segurando a fúria da guitarra. Acha graça, bebe mais um gole. Esquece de si e se perde no meio da febre. Alguém se aproxima e pede fogo, uma menina tão nova. Ela não sorri, nem está ali, é o cigarro que a sustenta entre os dedos. Acende sua brasa, então ela parece acordar de algum lugar distante, mostra os dentes num esgar dos lábios e volta para uma dança que é um chacoalhar de ossos no meio da noite, no meio das almas perdidas que se reconhecem. Vertigem da guerra da vida; o território é demarcado em cada par de olhos bêbados presente. A grande piada.
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Sábado, Junho 16, 2007
Divagações e blusas brancas
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Quarta-feira, Junho 13, 2007
Olhar sobre Nenhum Olhar
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Quarta-feira, Junho 06, 2007
Mundo de pulgas
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